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O Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) cuja missão é promover e fortalecer a valorização da cultura popular e das tradições da região, atuando em parceria com grupos sociais, culturais, artistas, mestres e comunidades artísticas da Baixada Fluminense. O CCPBaixada busca, desde sua criação em 2009, ampliar a visibilidade sobre a produção cultural regional e fomentar a inclusão social, apoiar populações vulneráveis de áreas precarizadas e contribuir para o desenvolvimento sociocultural da região.
Portifólio institucional - 2024
Por Ivan Machado*
Ontem, 21/02, me pareceu claro que precisaremos de uma canção que descreva as “águas de fevereiro fechando o verão”. Em comparação com as edições anteriores, esse foi o evento mais desafiador, no que se refere a produção e mobilização de quem toca produção cultural em nossa região, pois as mudanças climáticas tem deixado claro o quanto o racismo ambiental também atinge em cheio a arte e o entretenimento entre populações periféricas.
Com horário de início previsto para as 19h e pelo menos vinte turmas confirmadas, ainda aguardávamos a chegada de turmas ilhadas pelas inundações por conta das fortes chuvas, que começaram por voltas das 18h. Esse contratempo, que também isolou na Av. Presidente Dutra a equipe de sonorização contratada, contribuiu com o atraso no início do encontro. Ainda assim, fomo incentivados pelas turmas a manter o evento, que teve início às 00:30h, com a presença de nove turmas, acompanhadas de suas torcidas. O fato interessante é que, entre os participantes, a minoria tinha origem em Mesquita ou até mesmo na Chatuba, território de onde levantamos um quantitativo que passa dos cinquenta turmas. A justificativa dos ausentes foi exatamente os impactos da chuva. Vale observar que a Chatuba ficas situada entre a base do Maciço Gericinó-Mendanha e o Rio Sarapuí, que chega em Mesquita após absorver um enorme volume de água que se origina na Zona Oeste da Capital e segue por outros três municípios, até a Baia de Guanabara. Porém, nada disso impediu que tivéssemos uma clara demonstração de democracia cultural, inclusão e beleza, sob o comando de pessoas de extrema sensibilidade artística.
É inevitável a comparação entre os palhaços de folias de Reis e o crescente número de bate-bolas em nossa Região Metropolitana. Vale observar que é tradicionalmente ao final da jornada do reisado fluminense que surgem os primeiros bate-bolas, logo após a saudação a São Sebastião, no dia 20 e janeiro. Essa é uma prática que se percebe desde os anos 30 e que se irradia do bairro de Santa Cruz, ainda na primeira metade do século XX e chegam a concentrar centenas de turmas como é possível ver hoje, na Estrada Intendente Magalhães e no Centro do Rio, onde centenas de turmas se apresentam, influenciando-se mutuamente no tocante à estética e temáticas de suas fantasias.
Um dos avanços que surgem também na Zona Oeste do Rio e que se reflete na Baixada Fluminense é o grande número de Bateboletes, versão feminina dos Bate-bolas que, na grande maioria dos casos, saem juntamente com as turmas masculinas de seu lugar de origem. O fator de maior relevância percebido nessas duas últimas edições é o crescimento no número de pessoas trans entre as turmas bateboletes. Se em 2010, quando os bate-bolas se tornaram patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, a participação do gênero feminino ainda não era expressiva, agora vemos o segmento LGBTQIAPN+ não apenas sendo visto como apoio, torcida ou mão de obra na produção das fantasias. O que vemos hoje é esse público conquistando não apenas espaço, mas também a aceitação e o respeito das turmas com as quais interagem, como vimos ontem. Essa ressignificação de gênero vista na categoria Batebolete, parece contribuir de forma importante e simbólica para a diminuição de conflitos motivados pelo machismo entre os envolvidos nessa manifestação cultura carnavalesca. Pois, como percebemos nesse terceiro encontro e nas duas outras edições, em nenhum momento foi visto algum tipo de animosidade entre as quatro categorias que ali se apresentaram.
Por conta dos limitados recursos financeiros, tomamos como critério, premiar com troféu apenas os primeiros lugares entre as categorias Batebolete, Bandeira e Bola e Sombrinha e adereço. Nesse último, deixamos de usar o termo “Sombrinha e Boneco”, ultrapassado por conta dos variados itens que as turmas bate-bolas passaram a trazem e uma das mãos, além da tradicional sombrinha. Avaliados por três jurados, duas mulheres e um homem, tivemos o fato inédito de ver o município de Belford Roxo ganhando nas quatro categorias. Alcaçaram as maiores pontuações as turmas: Meninas da Diretoria na categoria Bateboletes, Muita Onda na categoria Sobrinha e Adereço, Diretoria na categoria Bandeira e Bola e por fim, o mascote da turma Diretoria, na categoria Originalidade.
Concluindo todo o evento por volta das 4:00h, tivemos como destaque o fato de contarmos com o fim da chuva, garantindo assim um retorno seguro de todas as pessoas envolvidas nesse emblemático encontro de uma importante e festiva tradição da cultura popular fluminense. Assim como no ano passado, a Escola de Samba Chatuba de Mesquita foi parceira na realização desse 3º Encontro, cedendo sua quadra para a produção que o Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense e o Centro Cultural Miro Cortez vem realizando, contando também com o apoio do Fórum Para as Cultura Populares e Tradicionais.
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*Ivan Machado é Mestre em Educação, Professor de História, especialista em Arte-Educação e Presidente do Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense.
Referências:
Gualda Pereira, Aline Valadão. Tramas simbólicas: A dinâmica das turmas de bate-bolas do Rio de Janeiro (tese, UERJ).
Turmas de bate-bolas do carnaval contemporâneo do Rio de Janeiro: diversidade e dinâmica (artigo, FUNARTE Digital).
Prefeitura do Rio de Janeiro. Documentos de certificação e mapeamento de grupos de bate-bola.
Participantes do evento do CAU/RJ – edição Chatuba, realizado no Instituto Mundo Novo, durante o debate sobre moradia digna e justiça territorial.
Patrícia Lyra - Assistente Social do CCPBaixada
O Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense participou, no dia 29 de janeiro, do evento do CAU/RJ, edição Chatuba, realizado no Instituto Mundo Novo, com o tema “Moradia digna é direito, não privilégio”.
O encontro reuniu arquitetos, arquitetas, lideranças da sociedade civil e do poder público para o debate sobre o direito à moradia digna. O CCPBAIXADA esteve representado pelo seu presidente Ivan Machado e sua assistente social, Patrícia Lyra, que integrou o Painel 2, com a exposição do tema “Construindo com dignidade: arquitetura social e soluções comunitárias”.
O evento foi organizado pelo CAU/RJ em parceria com as coordenadoras do Instituto Mundo Novo, Bruna e Bianca Simaozinho, e promoveu reflexões fundamentais sobre o papel da arquitetura social, da participação comunitária e das políticas públicas na construção de territórios mais justos.
O debate dialoga diretamente com as pautas que orientam a atuação do Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense na Chatuba de Mesquita, como o direito humano à alimentação adequada, o acesso à cultura, a saúde integral e o direito à cidade.
Participar desses espaços reafirma o compromisso do Centro com a defesa de direitos, o fortalecimento das redes comunitárias e a construção coletiva de soluções que garantam dignidade, permanência e qualidade de vida para a população dos territórios periféricos e de favelas da Baixada Fluminense.
O Projeto Jati Baixada é uma iniciativa do Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) que promove o acesso à cultura por meio de vivências artísticas destinadas a crianças e adolescentes da Baixada Fluminense. Alinhado às diretrizes da FUNARTE e ao Plano Nacional de Cultura, o projeto reafirma o direito à cultura e valoriza a diversidade cultural dos territórios periféricos.
A ação atende 100 crianças e adolescentes, com idades entre 8 e 16 anos, dos municípios de Mesquita e São João de Meriti, por meio de oficinas regulares de teatro, música e dança. As atividades ampliam o contato com a arte, fortalecem identidades locais e promovem oportunidades de desenvolvimento criativo, social e cultural para jovens com pouco ou nenhum acesso a bens culturais.
O Jati Baixada surge como resposta às desigualdades no acesso à cultura, contribuindo para a valorização da produção artística regional e para a visibilidade de artistas e espaços culturais da Baixada Fluminense. Ao longo de 12 meses, o projeto realiza três oficinas artísticas semanais, promovendo processos educativos em arte, convivência comunitária e participação cultural ativa.
Integrando o Programa FUNARTE – Emendas Parlamentares 2025 (nº 2041220250004), o projeto contribui para o fortalecimento da cena cultural local e nacional, estimulando a ampliação do acesso, o contato contínuo com as artes e a dinamização cultural do território.
Por meio do Jati Baixada, o Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense reafirma seu compromisso com a democratização das artes, especialmente em territórios onde o acesso à cultura ainda é limitado, fortalecendo vínculos comunitários, cidadania cultural e o direito à arte.
O Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense - CCPBaixada realiza, entre os dias 17 e 22 de novembro, a terceira edição da Semana da Consciência Negra e Periférica.
A programação gratuita celebra a força da cultura negra e periférica, com atividades que envolvem educação antirracista, arte negra em diversas linguagens e uma mostra audiovisual aberta a todas as idades.
Os encontros acontecerão em Mesquita/RJ, com ações distribuídas entre nossa sede em Santo Elias e em nosso Espaço Sociocultural da Chatuba, fortalecendo o diálogo entre arte, identidade e território.
Participe da nossa rede de solidariedade!
Doe 1 kg de arroz ou 1 garrafa de óleo de soja e ajude a manter a Cozinha Solidária em funcionamento.
O Natal Solidário CHM é uma ação do Centro de Cultura Popular da Baixada Fluminense (CCPBaixada) que leva alegria, dignidade e esperança às crianças da Comunidade Chatuba de Mesquita, território marcado por vulnerabilidade social e desigualdade.
A iniciativa nasceu da Sandália Solidária, criada ao observar o grande número de crianças andando descalças pelas ruas. Com o tempo, a ação cresceu e passou a oferecer também uma muda de roupa e um brinquedo, reafirmando o direito ao afeto, à brincadeira e à esperança.
Realizado em parceria com a Cozinha Solidária CHM, o evento acontece no dia 20 de dezembro, na sede do CCPBaixada (Rua Abaeté, 11 — Chatuba, Mesquita/RJ). As crianças apadrinhadas recebem seus presentes e participam de um dia especial com atividades culturais, brincadeiras e confraternização.
Mais do que presentes, o Natal Solidário CHM celebra o amor, o cuidado e a força da comunidade. 💚
Lista de apadrinhamento: Clique aqui e traga um sorriso para uma criança!
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Mais que alimentos, servimos informação, cidadania e dignidade.
O Jati Baixada promove oficinas de música e teatro voltadas a jovens da Baixada Fluminense, fortalecendo a cultura local e ampliando o acesso à arte, com apoio do Programa nº 2041220250004 – Funarte – Emendas Parlamentares 2025.
Levando prevenção, cuidado e esperança na luta contra a tuberculose na Chatuba.
Batucando sonhos, despertando talentos e fortalecendo as raízes culturais da Baixada.
Iniciado em 2020, o concurso reúne turmas de bate-bolas e bateboletes na Chatuba de Mesquita, celebrando a criatividade juvenil e a cultura popular da região metropolitana.
Um sarau do CCPBaixada que valoriza autores locais e promove acesso à leitura. Desde 2014, realiza encontros e troca gratuita de livros.
Um Curta do CCPBaixada, da série que aborda segurança alimentar e a fome, em. Mesquita- RJ
Produção e direção de Negrume Produções e Assessoria.
Sede do CCPBaixada
Cozinha Solidária CHM: Comunidade Católica São Francisco de Assis